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Dia dos Professores: Ex-alunas do Guri retornam ao programa como professoras e relatam suas experiências

15 de outubro de 2019

A arte de ensinar é muito anterior à criação das primeiras instituições educacionais. Antes mesmo que a escrita fosse desenvolvida, a oralidade, em conjunto com outros processos comunicacionais, tiveram a importante função de repassar aquilo que era considerado importante.

E para homenagear os que se dedicam à arte de ensinar, a data de hoje, dia 15, deve ser muito, mas muito comemorada por todas e todos que, juntamente com os professores e professoras, compartilham conhecimento e se dedicam àquilo que tanto desejam, seja no meio musical ou fora dele.

Aqui no Guri não poderia ser diferente. Aliás, são 168 professores e professoras espalhados pelos 46 polos na Capital e Grande São Paulo, que tentam fazer a diferença na vida de alunas e alunos todos os dias. E, para homenageá-los e agradecê-los por toda dedicação aos nossos guris, contamos a trajetória de duas professoras que já vivenciaram o outro lado – o de alunas do programa Guri.

Thayná Campos Garcia, de 23 anos, desde muito pequena sonhava em ser cantora, mas com poucos recursos financeiros, foi em busca de um programa que pudesse lhe proporcionar a tão desejada formação musical. “O Guri possibilitou que eu tivesse a oportunidade de iniciar os meus estudos musicais. Na minha primeira aula de Coral, eu já percebi que estava no local certo”.

Aluna do Guri por quase 8 anos, Thayná estudou Canto, além de participar de vários Cursos Modulares. Em 2012, entrou para os Grupos Infantis e Juvenis, sendo aprovada no processo seletivo para integrar o Coral Juvenil do Guri, onde permaneceu até 2015.

Com o passar do tempo, o amor de Thayná pela música foi crescendo até decidir que era isso que queria como profissão. “Sempre achei a profissão do professor muito nobre e cheia de desafios. Achei que seria a forma perfeita de retribuir para a sociedade o que o Guri tinha me proporcionado”.

Thayná, então, fez licenciatura em Música e, já nos primeiros anos de faculdade, trabalhou em ONGS, escolas públicas e particulares. Mas, o desejo de retornar ao Guri falava mais alto. “Sempre tive o desejo de retornar para o Guri como professora. Hoje me sinto completamente realizada e feliz.”. Há quase 2 anos, é professora de Iniciação Musical para Crianças e Adultos, além de Teoria e do Curso Modular de Musicalização Infantil, lecionando nos polos Sapopemba, Brooklin, Biritiba Mirim e Inácio Monteiro.

Hoje, como professora do Guri, Thayná continua aprendendo com seus ex-professores que, agora, são seus colegas de trabalho: “Tenho a maior admiração do mundo por todos os profissionais pedagógicos que passaram pela minha vida aqui no programa, que contribuíram com a minha formação como ser humano. Os professores são a minha inspiração e é muito bom encontrá-los nas capacitações, trocar informações e experiências. Eu continuo aprendendo com eles!”

Thayná ainda identifica as diferenças encontradas na inversão dos papéis. Como aluna, a visão que tinha sobre o programa era parcial. Agora, como professora, tem a possibilidade de ver tudo o que está por trás. “É como se antes eu tivesse o produto pronto para ser utilizado. Agora, eu vejo como funciona cada engrenagem e fico feliz por ser uma dessas peças que faz com que tudo funcione”.

Mesmo assim, Thayná lembra que demorou um tempo para cair a ficha ‘SOU PROFESSORA DO GURI’ e, seu primeiro Dia das Professoras, foi de extrema alegria e gratidão. “O Dia das Professoras é um dia de muita alegria. É muito gratificante receber o carinho das alunas e alunos, as cartinhas, os desenhos. Faz tudo valer a pena”!

Por ser ex-aluna, Thayná acredita que tem um olhar diferente quanto aos seus estudantes. “Eu me vejo muito nas alunas e alunos. Procuro sempre me colocar no lugar deles, entender o que eles estão passando. Partindo daí, revejo minha prática pedagógica e tento adequá-la para a melhor forma de atendê-los”.

Para Thayná, ser professora é uma missão que requer muita dedicação, muito estudo e muita força para encarar os desafios. “Temos uma cultura muito rica, que deve ser cultivada e preservada!”

Deyse Medeiros, 24 anos, também iniciou seus estudos no Guri Capital e Grande São Paulo em 2008, onde permaneceu por aproximadamente 7 anos. Deyse fez aulas de Canto e passou a fazer parte do Coral Juvenil do Guri em 2010, onde permaneceu por 5 anos.

O desejo de ser professora foi despertado em Deyse por meio da vivência como aluna no Guri. “Todo o trabalho feito pela Santa Marcelina Cultura, dentro do programa, me parecia muito mágico, e, de certa forma, eu sentia que isso deveria ser transmitido para as outras pessoas”.

Saindo do Guri, Deyse formou-se em Canto Lírico pela Escola Municipal de Música de São Paulo, e licenciatura em Música pela Faculdade Cantareira. Como professora, faz parte do quadro de colaboradores do Guri há mais de 1 ano, dando aulas de Iniciação Musical para Crianças e Coral, nos polos Rosa da China, CCA Itaquera, Três Pontes e Perus.

Deyse relata o quanto se sente realizada na profissão, além de saber a importância do seu papel para quem busca o Guri: “Hoje eu entendo o quão fundamental é o papel do professor, mas também sei como é estar no lugar do aluno que vai até o programa. Esse saber é fundamental para a minha prática docente”.

Ser ex-aluna também trouxe para Deyse um olhar diferente para a docência no Guri: “Eu sei da importância que é ter um programa como esse para os alunos. Sei também que esse programa é uma ferramenta de transformação para a vida de todos eles, assim como foi para a minha”.

Quando questionada sobre o que é ser professora, Deyse não tem dúvida: “O professor é um ser transformador. Transformador de ideias, de conceitos. No meu caso, esse papel é desenvolvido por meio da música, e isso para mim é muito importante, porque foi a partir dessa transformação que eu pude ter contato com outros espaços culturais, ter o interesse pela faculdade e a vontade de retribuir de certa forma tudo o que fizeram por mim.”

Para Deyse, retornar ao programa como uma profissional é, além de uma realização, uma grande emoção. “Meus ex-professores e professoras sempre me serviram de exemplo. É uma emoção muito grande tê-los como colegas de trabalho.”

“Eu queria fazer um agradecimento imenso aos meus ex-professores e professoras, por tudo que me ensinaram, por cada dica, cada puxão de orelha. Tudo isso contribuiu para construir a pessoa que sou hoje. Feliz Dia das Professoras e Professores para nós!”, Deyse Medeiros.